sexta-feira, 30 de junho de 2017

Falar é uma arte, sim!




Tenho comigo uma inquietação que acomete minha alma com frequência. Talvez porque more em mim um filósofo tímido, daqueles que filosofam para si mesmos escondidos em sua timidez.


A questão é a seguinte. Supondo-se que houvesse uma reunião de pintores, grafiteiros e assemelhados. Não consigo imaginar essas pessoas se preparando para o encontro, escolhendo seus piores pincéis e tintas. Mais difícil ainda seria acreditar que, estes materiais inadequados, seriam escolhidos por aqueles que deles entende. Ou, mais estranho ainda, aceitar que estes pintores, ao escolher o pior possível, acreditem poder realizar a melhor obra das suas vidas

A escolha de materiais é de extrema importância para qualquer obra. Pode ser uma obra da construção civil, pode ser uma obra de arte. Aceito a crítica que há exceções! Por exemplo, os catadores daquilo que chamamos de lixo. Há muitos que criam obras de arte com esse material que é, em tese, de péssima qualidade. Mas aí me defendo dizendo que, entre todo o suposto lixo que estas pessoas têm à sua disposição, elas escolhem o que há de melhor “entre o pior” para trabalharem.

Tenho para mim que é uma regra para a evolução dos humanos: escolher sempre o melhor. Ou ao menos, aquilo que, naquele momento, parece ser o melhor. Claro que aceitarei novas críticas filosóficas: O que é o melhor? O que é o melhor para mim não é o que é o melhor para ti...”. Aceito a relatividade das coisas. Mas, isso não derruba minha tese: mesmo que eu não saiba o que é o melhor, sempre vou escolher o melhor quando quero fazer o melhor que eu posso. Claro que, se não quero fazer o meu melhor, aí é outro assunto.

Mas, ainda não disse da minha inquietação.

Ora, se quando falamos queremos fazer nosso melhor enquanto falantes... como poderia escolher conscientemente as piores palavras? Se as palavras são como as tintas que pinto quadros com imagens na cabeça dos outros, como escolher as piores para fazer as melhores obras de arte faladas ou escritas? Não faz sentido!

As palavras são os materiais que usamos para construir imagens verbais nos outros!

Vejo inúmeras pessoas que falam e falam usando quaisquer palavras, de qualquer jeito, mal enjambradas! E quando recheiam frases com palavrões? Nossa! Palavrões então é terrível! Seria como querer pintar o azul do céu e a luz do sol usando as cores preto, cinza, marrom... sei lá. Os palavrões são cores grotescas que pintam feio o que queremos “pintar” com palavras. E quando somamos a isso o tom de voz?

É terrível os palavrões sendo ditos aos gritos, num ambiente onde deveria haver silêncio ou voz baixa. Nesse caso, imagino o tom de voz como um pincel grosso onde deveria ser fino e delicado, e as tintas (nas palavras) de péssima qualidade, onde deveriam ser de qualidade  máxima!

Com certeza não surgirá, desses equívocos, uma bela obra de arte.

Falar é uma arte, sim!


Pronto, desabafei. 

Um comentário:

  1. GOSTEI. FALAR É UMA OBRA DE ARTE, ATÉ FALAR PALAVRÃO, GROSSERIAS, ESTÃO SE TORNANDO UMA OBRA DE ARTE. VEJA...BOLSONARO COM UMA FRASE PUNHETA OFENDE m
    MARIA DO ROSÁRIO, E PORQUÊ? PARA TORNAR-SE PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM 1918.VERDADEIRAMENTE O DIABO EXISTE?

    ResponderExcluir